Paisagem em Destaque: Reforestamos Mexico

A Tech Matters está desenvolvendo uma plataforma de software chamada Terraso em conjunto com parceiros de co-criação — líderes de paisagens que irão nos ajudar a testar soluções para os desafios de paisagens como parte da iniciativa 1000 paisagens para 1 bilhão de pessoas. A Tech Matters é uma organização tecnológica sem fins lucrativos com profunda experiência no apoio ao setor de bem-estar social com soluções de software de código aberto. Nesta série, iremos compartilhar histórias sobre nossos parceiros de co-criação e como estamos trabalhando juntos para encontrar e melhorar as ferramentas para Terraso.

A Reforestamos Mexico é um movimento para a conservação e o desenvolvimento sustentável. Do reflorestamento até a implantação de cadeias de abastecimento sustentáveis, a organização sem fins lucrativos está ajudando oito estados mexicanos no nível da paisagem: a combinação de ecossistemas naturais e humanos interdependentes que podem se estender por centenas de milhares de quilômetros quadrados. Nós sabíamos que eles tinham muito a nos ensinar.

É por isso que a equipe da Terraso vem trabalhando com a Reforestamos desde o final de 2020. Com sua orientação, pudermos ter uma compreensão mais clara de um dos maiores problemas enfrentados pelos líderes da paisagem: o monitoramento preciso do que está acontecendo em campo. Juntos, descobrimos uma solução potencial que usa ferramentas de software gratuitas e de código aberto.

Mapear e monitorar uma paisagem pode ser uma tarefa enorme. Com 15 milhões de hectares, o Corredor Biocultural del Centro Occidente de México, onde a Reforestamos trabalha, cobre uma área maior do que Bangladesh. É a maior paisagem que a equipe Terraso suporta hoje, uma ampla área que compreende florestas tropicais e subtropicais, desertos, terrenos montanhosos, cidades e vilarejos que abrigam cerca de 25 milhões de pessoas.

Uma fotografia de uma floresta tirada do alto. A floresta se estende até o horizonte e o sol está se pondo (ou nascendo) à distância.
Crédito da foto Reforestamos México

Em uma escala tão grande, rastrear as mudanças na paisagem pode sobrecarregar até mesmo as equipes mais dedicadas. Os esforços de mapeamento consomem tantos recursos que esse trabalho crítico pode se tornar muito difícil de realizar. A Internet lenta torna desafiador a transferência de grandes arquivos. Essa é uma tarefa comum para os especialistas que precisam baixar arquivos de mapas de repositórios públicos, como Copérnico e USGS. Após obter esses mapas, eles executam complexos processos de aprendizado de máquina para treinar um computador a reconhecer o que vê nas imagens.

Usando esses métodos, a Reforestamos passa horas incontáveis ​​mapeando a paisagem, baixando grandes mapas de satélite, realizando análises e identificando novas áreas desmatadas (muitas vezes perto de centros urbanos e agrícolas). O resultado é um mapa de “uso e cobertura da terra” arduamente obtido, que detalha a composição de uma paisagem. Essa informação vital permite que eles identifiquem onde precisam focar seus recursos para restaurar árvores e implantar cadeias de abastecimento sustentáveis.

Ernesto Herrara, diretor da Reforestamos México, descreveu as incontáveis horas de trabalho de pessoas que precisam ser dedicadas ao projeto. “Sessenta por cento do tempo eles têm que analisar e definir quais dados devem ser colocados no mapa”, diz ele. “Apenas 40 por cento do esforço é realizado pelo computador.”

Essa relação mostra como cada mapa é bastante caro no que se refere ao tempo da equipe. Além disso, muitos computadores de escritório lutam para conseguir lidar com os cálculos complexos necessários para concluir a análise. “Demora muito tempo para processar informações… 20 ou 29 horas. E às vezes o computador trava e você tem que começar tudo de novo”, disse o especialista em GIS da Reforestamos, Juan Esteban Torres Vivar.

Somado ao tempo que se leva para baixar imagens de satélite, pode ser muito desafiador para uma equipe a utilização efetiva de mapas em seu trabalho de gerenciamento de paisagem.

Ineficiências no mapeamento são um problema comum que nós da Tech Matters ouvimos de líderes de paisagens. Como a Reforestamos, outros parceiros de co-criação de paisagem frequentemente enfatizam a importância dos mapas e o objetivo de usá-los, apesar da conexão com Internet lenta. Estamos comprometidos a desenvolver a plataforma Terraso com essas necessidades em mente. Para ajudar a Reforestamos e outros que eventualmente usarão o Terraso a gerar mapas de uso da terra de maneira rápida e eficiente, nos propusemos a encontrar uma solução que considere o contexto vivido pelos envolvidos em paisagens.

Após vasculhar a Internet em busca de ferramentas desenvolvidas por provedores de código aberto, descobrimos Sépal: uma ferramenta de mapeamento e análise desenvolvida pela Open Foris na Organização para Alimentos e Agricultura da ONU. O Sepal foi projetado para facilitar o acesso e a análise de dados de satélite.

Uma captura de tela da visualização móvel de Sepal. Ele descreve um mapa dividido ao meio. À esquerda, uma imagem de satélite em alta resolução, com pontos marcados pelo usuário como localizações "florestais" ou "não florestais". À direita, uma análise computadorizada da paisagem, rotulando o terreno de acordo com essas duas categorias.

Construído sobre o Google Earth Engine, ele aborda vários dos desafios enfrentados pela Reforestamos porque o acesso e o processamento de imagens acontecem inteiramente na nuvem. Isso não apenas reduz o tempo para baixar grandes arquivos de imagens, mas também fornece à equipe da paisagem acesso a computadores poderosos, mantidos por terceiros, que concluem análises complexas em minutos em vez de horas. O Sepal reduz ainda mais as barreiras de acesso por ser compatível com dispositivos móveis e traduzido para o espanhol. Finalmente, a ferramenta fornece recursos de classificação de imagens simples, mas poderosas, possibilitando que pessoas sem habilidades avançadas em GIS criem mapas detalhados de uso da terra.

Como parceiro de co-criação, a Reforestamos México nos orienta sobre quais ferramentas e processos são interessantes para eles e para outros projetos de paisagens que enfrentam desafios semelhantes. A equipe da Reforestamos utilizou o Sepal em suas atividades comuns de mapeamento. Eles nos disseram que o Sepal pode atender a mais de 80% das necessidades de análise. A utilização inicial sugere ainda que o software poderia extrapolar as expectativas incorporando imagens de resolução ainda mais alta.

No Terraso, nosso objetivo é dar aos líderes de paisagens acesso a ferramentas poderosas e acessíveis que os ajudem a administrar suas paisagens. Quando encontramos uma ferramenta de código aberto que resolve 80% de um problema sem a necessidade de personalização, sabemos que a melhor maneira de agregar valor é ajudar a desenvolver essa ferramenta, em vez de começar do zero. A opinião da Reforestamos México e nossos outros parceiros de co-criação nos ajudam a saber como podemos agregar valor para os criadores de ferramentas e seus usuários.

Nosso objetivo com parceiros de co-criação é agregar valor para ambos os lados da parceria, sabendo que cada um de nossos primeiros parceiros representa as necessidades de dezenas ou mesmo centenas de grupos semelhantes. Nós nos esforçamos para fornecer ferramentas e suporte para paisagens, mesmo reconhecendo nesses projetos o papel de especialistas que nos provém valiosas opiniões especializadas. Ao fazer isso, esperamos fazer a nossa parte para criar um mundo mais verde e sustentável como o que a Reforestamos está buscando. Pegaremos o conhecimento que adquirimos e o incorporaremos ao Terraso, para servir 1000 paisagens e muito mais.

Author

  • Derek Caelin é o gerente de produto da Terraso na Tech Matters. Derek é um tecnólogo que passou anos treinando ativistas e organizações da sociedade civil em países em desenvolvimento e zonas de conflito sobre como usar ferramentas digitais para se comunicar, mobilizar e organizar. Derek está particularmente focado na criação, pesquisa e compartilhamento de tecnologia de código aberto para que todas as pessoas possam se beneficiar de software gratuito produzido coletivamente. Seus escritos sobre software mantido pela comunidade, jogos para impacto social, privacidade e o efeito das plataformas de tecnologia na sociedade foram publicados na Foreign Policy e no OneZero.

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